5 dicas para comprar seu contrabaixo acústico

Se você está a caminho da loja para comprar seu primeiro contrabaixo acústico, PARE AGORA E LEIA ESSE ARTIGO!

Eu vou te contar uma história rápida. Infelizmente, ela aconteceu comigo. A parte boa é que, depois de ler, você vai saber exatamente como não cometer o mesmo erro que eu cometi ao comprar meu primeiro contrabaixo acústico.

Quando eu já tocava baixo elétrico, resolvi migrar para o baixo acústico. Talvez essa seja sua situação agora. Fique frio: não é e nunca será um problema migrar de instrumento. Quanto mais aprendemos, mais versáteis nos tornamos como músicos, não é mesmo?

O problema foi a minha ansiedade. Eu queria logo poder praticar e sair tocando o contrabaixo acústico! E a ansiedade nunca ajuda. A minha pressa me levou a uma loja comum de instrumentos musicais. Cara, eu achava que seria a melhor escolha, afinal não é toda loja que tem um baixo acústico à venda. E ele estava lá, suntuoso na vitrine.

Fiquei maluco.

O contrabaixo era chinês — “até aí ok”, pensei, “não tenho muita grana”. Era um contrabaixo bem básico, mas para mim que ainda não tocava, eu pensei “tudo bem”. Eu levei um tempo guardando aqueles milhares de reais, mas não aguentava mais esperar pra tocar.

Não pensei duas vezes: comprei o contrabaixo acústico.

Se arrependimento matasse, eu já teria dado uns três giros no caixão.

Chegando em casa, fui brincar com meu brinquedo novo. Eu já tinha tocado contrabaixo acústico antes, emprestava de amigos pra saber se era aquilo mesmo que eu queria — e era. Mas não sei por que não pensei em AVALIAR o meu investimento ANTES de comprar.

O contrabaixo era MEDÍOCRE. Sério, o som não soava, não saía nada, era abafado, horroroso. Não tinha como tocar, não tinha como gravar com ele. NADA.

Traído pela ansiedade e pela pressa, só então comecei a pesquisar COMO EU IRIA ME LIVRAR DAQUELE LIXO e finalmente COMPRAR UM CONTRABAIXO ACÚSTICO DECENTE.

É por isso que eu listei essas 5 dicas fundamentais para você que quer comprar um contrabaixo acústico agora ou em breve, mas que não quer errar feio como eu errei. Vamos lá:

 

1 – FUJA DO CONTRABAIXO ACÚSTICO DE SHOPPING

Essa é a primeira dica que eu tenho pra você que quer um contrabaixo acústico de boa qualidade. Não estou desmerecendo o trabalho das lojas, longe disso. A verdade é que instrumentos elétricos são produzidos em série já com boa qualidade e, por isso, é mais fácil de encontrar um que atenda as necessidades do estudante ou do músico. Entretanto, contrabaixo acústico é instrumento de luthier, necessita de uma acuidade específica na fabricação e, sobretudo, um bom conhecimento sobre tipos de madeira e sua capacidade acústica.

Infelizmente, não há muitos luthiers no Brasil. Mas há alguns muito bons e que, de quebra, entendem a nossa necessidade de adquirir um instrumento de boa qualidade e por um preço justo — principalmente quem está começando e não necessariamente precisa de um contrabaixo top de linha.

O Fernando Fonterrada é um luthier recomendado por vários contrabaixistas brasileiros. A competência é tanta que muitos músicos viajam de outros estados até o estúdio dele para ter o que é um dos melhores serviços de luthieria disponíveis no mercado.

 

2 – O COMPENSADO NÃO COMPENSA

Não foi à toa que comentei sobre a importância da madeira e sua acústica. Atualmente, muitos instrumentos musicais são fabricados com madeira compensada. A madeira compensada é feita de finas placas de entalho de madeira, com camadas coladas umas às outras.

É comum encontrar contrabaixo acústico com o tampo e o fundo de compensado. Procure evitar esse tipo de instrumento, pois o som costuma não ser tão bom.

Pelo mundo, luthiers usam um kit composto de abeto e maple. Já no Brasil, é comum a utilização do marupá na construção do bojo e de mogno para o braço, por este ser mais resistente. Há boas referências da combinação dessas duas madeiras em relação à sonoridade.

Outras madeiras como o jacarandá, a orelha de onça e a amapá. Mas vale o lembrete: o Brasil apresenta grandes variações de temperatura e isso impacta diretamente na escolha da madeira.

 

3 – RACHADURAS? FUJA RÁPIDO

Outro tópico sobre madeira: trincas e rachaduras comprometem bastante a sonoridade de qualquer instrumento musical, e não seria diferente com o contrabaixo acústico.

Defeitos de secagem podem surgir na superfície mais externa, onde as tensões de secagem diferenciais são maiores.

Se você tocar e seu instrumento zumbir, pode começar a procurar a rachadura, que você vai encontrar.

 

4 – CRAVELHA BOA GIRA BEM

A cravelha, também conhecida como chave ou tarraxa, pode ser de madeira ou metálica, sendo esta mais comum de se ver atualmente. Ela permite controlar a tensão aplicada em cada corda, afrouxando-a ou retesando-a de acordo com a necessidade da afinação.

Ao escolher seu contrabaixo acústico, verifique uma a uma das cravelhas, observando a facilidade excessiva ou dificuldade em girá-las. Além disso, veja se elas não apresentam nenhuma deformidade, ou se estão tortas.

Se você comprar um contrabaixo acústico básico que necessite de muitas manutenções para ser usado, esquece. Seu investimento que seria de alguns milhares de reais pode facilmente dobrar de valor em virtude dos reparos. Isso sem falar no custo com o jogo de cordas, que nem de longe é barato. Qualidade é sinônimo de economia na hora da compra.

 

5 – CÉLIO BARROS MANDOU AVISAR

A última dica é do querido Célio Barros, grande contrabaixista brasileiro. Segundo ele, se você tocar o Fá (grave) e o som alcançar uma boa extensão de onda, com uma maior sustentação, é sinal de que o som todo do contrabaixo será bom.

Espero que essas dicas ajudem você a escolher seu contrabaixo acústico e que ele seja seu companheiro musical por bastante tempo. E não se esqueça de compartilhar esses macetes com outros colegas de som! Afinal, todo mundo pode se ajudar na caminhada da música.